O Logística do Futuro 2026 chegou à sétima edição nos dias 9 e 10 de setembro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Organizado pela MundoLogística, o evento reuniu mais de 6 mil profissionais e mais de 150 palestrantes. O momento não poderia ser mais oportuno: pesquisa recente da própria MundoLogística mostrou que o diesel (40%), a reforma tributária (29%) e o piso mínimo do frete (27%) lideram as preocupações do setor em 2026. Ou seja, custo, regulação e tributação já ocupam as agendas de quem decide sobre frota.
Entre os diversos painéis do evento, quatro temas se destacam por afetar diretamente quem avalia comprar, financiar ou locar caminhões, máquinas e implementos:
- O novo marco regulatório do frete aumenta a fiscalização e a burocracia documental.
- O fim da escala 6×1 encarece e reduz a disponibilidade de motoristas.
- A reforma tributária muda a lógica de custos que hoje sustenta a posse de ativos.
- A eletrificação de frota exige repensar a operação, não só o veículo.
- Juntos, esses fatores aumentam o risco de manter frota própria.
- A locação surge como forma de transformar essa exposição em previsibilidade.
Novo marco regulatório do frete: piso mínimo e CIOT sob mais fiscalização
Em 2026, o piso mínimo do frete passou por uma nova rodada de fiscalização. O governo publicou normas que aumentam as penalidades para quem não cumpre o valor mínimo da tabela, incluindo a suspensão do cadastro da transportadora e o bloqueio automático do documento que registra o frete quando o valor fica abaixo do piso.
Durante o evento, especialistas do setor também comentaram uma nova lei sancionada neste ano, que trouxe outras mudanças para a rotina do transporte. Entre elas estão um prazo máximo para o pagamento do frete, o cadastro gratuito das transportadoras com verificação por biometria facial, o direito à indenização para quem for lesado e multas para quem não seguir as novas regras de registro.
Cada nova exigência se soma à rotina de quem opera frota própria. Por isso, delegar essa gestão para quem já mantém uma estrutura dedicada de documentação, multas e conformidade reduz a exposição a esse tipo de risco operacional.
Fim da escala 6×1: motorista mais caro e mais raro
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho, prevista na PEC 221/2019, também esteve em pauta. Um estudo técnico da Confederação Nacional do Transporte (CNT) estima que o fim da escala 6×1 pode gerar, no longo prazo, um impacto de R$ 11,88 bilhões no setor de transporte.
No Logística do Futuro, o advogado e consultor jurídico da NTC lembrou que reduzir a jornada não reduz a quantidade de carga a transportar. Segundo ele, as empresas precisarão avaliar diferentes caminhos: contratar mais motoristas, aumentar produtividade, redesenhar turnos e rotas, terceirizar parte da operação ou investir em automação. A recomendação prática é mapear as jornadas atuais e simular cenários de 40 e 42 horas semanais antes que a mudança seja definida.
Com menos horas disponíveis para transportar o mesmo volume de carga, cada empresa precisa decidir onde concentrar esforço: na gestão de pessoas ou na gestão de ativos. A locação de caminhões, máquinas e implementos tira da empresa a parte de manutenção, renovação e documentação da frota. Assim, sobra mais tempo e estrutura para lidar com o desafio real dessa mudança, que é contratar, treinar e reter motoristas.
Reforma tributária: a transição que já começou
A Emenda Constitucional nº 132/2023 deu início, em 2026, à fase de transição do novo sistema tributário brasileiro. Ao longo dos próximos anos, até 2033, o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) vão substituir gradualmente tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins. Não é à toa que o tema aparece como a segunda maior preocupação do setor em 2026, atrás apenas do diesel.
Boa parte do planejamento tributário que hoje sustenta a compra de caminhões e máquinas está ligada a créditos e regimes específicos por estado. Com a unificação em curso, esse tipo de benefício tende a perder peso ao longo da transição. Diante disso, faz mais sentido avaliar o custo total da operação do que um benefício fiscal pontual atrelado à aquisição de um ativo. Não à toa, a locação de caminhões, máquinas e implementos vem ganhando espaço entre empresas que preferem transformar essa incerteza tributária em custo previsível, em vez de depender de créditos que podem mudar a cada nova etapa da reforma.
Eletrificação de frota e TCO: só trocar o caminhão não fecha a conta
A eletrificação de frotas foi um dos temas mais discutidos no evento, impulsionada pelo crescimento do e-commerce e pela busca por operações mais eficientes sem elevar custos na mesma proporção. Cada vez mais, o mercado de transporte pesado enxerga o veículo elétrico como parte da estratégia para reduzir custo de manutenção, aumentar a vida útil operacional e ganhar previsibilidade energética.
Especialistas do setor reforçaram, no entanto, um ponto importante: essa transição não se resume a trocar o veículo. Sem revisar o modelo de operação, como rotas, uso dos ativos, infraestrutura de recarga e manutenção, a adoção de novas tecnologias pode elevar o custo total da operação em vez de reduzi-lo.
Esse raciocínio reforça a lógica CAPEX x OPEX: o veículo é só uma parte da conta. Empresas que compram ou financiam frota para acompanhar essa transição tecnológica assumem o risco de o ativo ficar obsoleto antes mesmo de ser totalmente amortizado. Já quem opta pela locação consegue acompanhar a evolução tecnológica do setor sem imobilizar capital em um ativo que pode perder valor rapidamente diante do ritmo de inovação.
Como esses fatores se somam para quem tem frota própria
Isolados, cada um desses fatores já exigiria atenção. Somados, eles aumentam simultaneamente o custo de operar, o risco de compliance e a complexidade de gestão de quem mantém frota própria.
| Fator | O que muda | Janela de tempo | Impacto no custo |
| Piso mínimo e CIOT | Mais fiscalização e exigências documentais | Regras já em vigor em 2026 | Risco de multas e bloqueio operacional |
| Fim da escala 6×1 | Menos horas disponíveis por motorista | PEC em tramitação | Até R$ 11,88 bi no setor (estimativa CNT) |
| Reforma tributária | Unificação de tributos em IBS/CBS | Transição entre 2026 e 2033 | Menor peso de benefícios fiscais ligados à posse do ativo |
| Eletrificação de frota | Exige rever o modelo de operação e acompanhar a evolução tecnológica | Transição em ritmo acelerado no setor | Risco de obsolescência do ativo próprio antes da amortização |
Empresas que esperam essas mudanças se consolidarem antes de agir tendem a decidir mais tarde e pagar mais caro por isso. Antecipar essa análise, mesmo em um cenário regulatório ainda em transição, é o que separa quem se adapta de quem sofre o impacto no meio do caminho.
O caminho mais previsível: por que essas tendências reforçam a locação de pesados
Os quatro fatores discutidos no Logística do Futuro 2026 têm algo em comum: todos aumentam o custo, o risco ou a complexidade de manter frota própria. Comprar ou financiar caminhões, máquinas e implementos imobiliza capital (CAPEX) e mantém a empresa exposta à depreciação, ao risco de crédito e às mudanças regulatórias e tributárias do setor. Locar transforma essa exposição em custo operacional previsível (OPEX), sem abrir mão de ativos modernos e 0 km.
A própria Addiante, inclusive, esteve no palco do evento. O CEO Fabio Leite participou do painel “Eficiência operacional na prática: decisões logísticas que impulsionam resultados”, ao lado de executivos da ICE Pharma, discutindo exatamente como transformar decisões logísticas em resultado concreto para a operação. Dessa proximidade nasceu um case de sucesso e as soluções de locação da Addiante passaram a a fazer parte das operações da ICE Pharma, trazendo mais eficiência operacional para a companhia.
Com gestor de conta dedicado, telemetria, torre de controle, manutenção preventiva e corretiva, gestão de multas e gestão documental, a Addiante assume boa parte da complexidade que os quatro fatores acima só tendem a aumentar.
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